A Ducati acaba de lançar combustível (ou melhor, alta voltagem) na fogueira das discussões sobre o seu futuro. O registo de uma nova patente detalha, com uma precisão cirúrgica, que a marca italiana não pretende apenas entrar no mercado elétrico para cumprir calendário, mas sim para ditar as regras do jogo.

Embora a entrada oficial no segmento de estrada não esteja prevista para o curto prazo, os documentos técnicos oferecem uma visão fascinante: a Ducati está a aplicar a “obsessão pela compacidade” para garantir que o silêncio do motor elétrico não apague o brilho dinâmico que define a marca.
A obsessão pela silhueta
O maior inimigo das motos elétricas atuais é o volume e o peso das baterias, que tendem a “engordar” o conjunto. A solução da Ducati? Crescer em altura para não alargar em largura. A patente revela uma arquitetura onde os componentes eletrónicos e de controlo são empilhados verticalmente. O objetivo é manter a silhueta da moto tão estreita quanto a de uma Panigale de combustão, preservando a ergonomia e, acima de tudo, a agilidade nas mudanças de direção — o famoso handling que é o pilar de Borgo Panigale.
18.500 rpm e transmissão de multiestágio
O coração deste projeto é um motor elétrico de alta performance capaz de atingir as 18.500 rpm. Para gerir esta rotação insana e transformá-la em torque utilizável na roda traseira, a Ducati desenhou um sistema de redução de engrenagens multiestágio.
- A Transmissão: A potência é entregue via corrente, mantendo a conexão mecânica e a resposta direta que os motociclistas desportivos exigem.
- O Truque do Sensor: Numa escolha técnica atípica, o sensor de posição não está no eixo do motor, mas num dos eixos da caixa de transmissão. Esta manobra permite uma centralização de massas superior e uma gestão de espaço muito mais eficiente.

O legado da V21L: da pista para o papel
A referência imediata para este projeto é a Ducati V21L, o protótipo que brilha no Mundial de MotoE. No entanto, a patente mostra que a marca está a ir mais além da adaptação de uma moto de corrida. O foco aqui é a estrada: durabilidade, entrega de potência controlável e uma integração total que evita o aspeto de “moto com um caixote de baterias pendurado”.
Quando chega ao mercado?
A Ducati tem sido clara: a tecnologia atual de baterias ainda não permite o rácio peso/potência/autonomia que eles consideram aceitável para um modelo de produção em série. Portanto, esta patente é uma “declaração de intenções”. A mensagem é direta: quando a primeira Ducati elétrica chegar às concessões, ela terá de se comportar, curvar e travar como uma autêntica máquina de Bolonha.
A Ducati está a jogar o jogo da paciência. Enquanto outras marcas se apressam a lançar modelos urbanos genéricos, a marca italiana está a patentear a alma da sua futura superbike elétrica. Se o motor de 18.500 rpm for tão emocionante quanto os esquemas prometem, o futuro elétrico de Borgo Panigale será tudo menos aborrecido.





