Por que a proteção física deve fazer parte do planejamento financeiro do motociclista | Sim à Motocicleta

 

O mês de julho traz consigo uma das datas mais importantes do nosso calendário: o Dia do Motociclista. É o momento de celebrar a liberdade sobre duas rodas, mas também de fazer uma reflexão crucial sobre nosso comportamento para valorizar a vida no trânsito. Afinal, nas ruas e estradas, o motociclista é o protagonista mais vulnerável dessa história.

Um dos erros mais clássicos e perigosos do mercado brasileiro é o planejamento financeiro incorreto. O cidadão junta o dinheiro, compra a moto de seus sonhos e, na hora de sair da concessionária, percebe que não sobrou um centavo no bolso. O resultado? Sai rodando com um capacete velho, sem luvas, sem jaqueta e muito menos um par de botas. 

Os equipamentos de proteção para motociclistas não são acessórios de luxo ou opcionais alegóricos; eles têm que fazer parte da motocicleta e, de preferência, devem ser calculados e comprados juntos com o veículo.

A boa notícia é que você não precisa gastar uma fortuna em marcas gringas renomadas para estar protegido. O mercado nacional evoluiu absurdamente e oferece opções com excelente custo-benefício que cumprem rigorosamente todas as normas de segurança.

ALERTA GERAL: A NOVA NORMA DE CAPACETES COM QR CODE NO BRASIL

Se você vai aproveitar o mês do motociclista para renovar seus equipamentos, preste muita atenção na legislação. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o Inmetro atualizaram as regras de homologação de capacetes no Brasil.

A partir de agora, além do tradicional selo holográfico, os novos capacetes comercializados no país exigem a presença de um QR code gravado ou etiquetado de forma indelével. Essa medida visa combater a pirataria e facilitar a fiscalização. Ao escanear o código, o agente de trânsito ou o próprio motociclista tem acesso imediato aos dados de fabricação, lote, validade e certificados de testes do modelo.

Novo selo Inmetro
Novo selo Inmetro

Não compre capacetes de procedência duvidosa ou réplicas baratas na internet. Exija o selo do Inmetro e o novo QR code. O capacete é o equipamento de proteção mais importante do motociclista, e se ele falhar, pode não haver segunda chance.

O ‘KIT SEGURANÇA’ MÍNIMO QUE VOCÊ DEVE USAR

Para rodar com dignidade e segurança, seja no corre do dia a dia ou no mototurismo de fim de semana, o piloto precisa vestir o quarteto sagrado da proteção. Abaixo, dissecamos o que buscar em cada item sem precisar estourar o limite do cartão de crédito:

1. CAPACETE (INTEGRAL/FECHADO)

• Onde focar: esqueça os modelos abertos ou os populares “coquinhos”, que deixam o queixo e boa parte da face expostos (área de maior impacto em quedas urbanas). Vá de capacete fechado ou escamoteável e, neste caso, não ande com a queixeira aberta; faça-o somente quando a moto estiver parada.

• Custo-benefício: há algumas marcas nacionais acessíveis que entregam cascos em ABS injetado de excelente absorção de impacto, forração removível e lavável, além de viseiras de boa qualidade por uma fração do preço das marcas de grife. Em geral, os capacetes mais caros utilizam materiais mais nobres, como fibra tricomposta e fibra de carbono, que, mesmo sendo o melhor que pode haver em matéria de proteção, foram projetados para alta velocidade, o que não é o caso do tráfego urbano, por isso os de ABS injetado cumprem muito bem seu papel.

Capacete

2. LUVAS

• Onde focar: é reflexo, ao cair, de o instinto humano estender os braços e mãos para o chão e tentar se proteger da queda. Cair sem luva significa, no mínimo, esfolar a pele da palma da mão, mesmo que seja a 20 km/h. Procure luvas que tenham reforço de couro na palma das mãos e apliques em ABS ou carbono no dorso (juntas dos dedos), uma parte crítica, que se for ferida pode causar danos  irreversíveis.

• Custo-benefício: luvas de tecido com couro sintético são mais acessíveis e podem salvar as suas mãos de feridas e escoriações mais severas, mas lembre-se de que é preciso que sejam reforçadas e não podem ficar apertadas nem muito folgadas.

3. JAQUETA COM PROTEÇÕES RÍGIDAS

• Onde focar: esqueça jaquetas de moletom ou jeans comum; o asfalto tem grande poder abrasivo e é capaz de lixar e rasgar esses tecidos em frações de segundo de arrasto. Você precisa de uma jaqueta de cordura (poliéster de alta densidade). Verifique se ela possui proteções internas com certificação CE nos ombros, cotovelos e nas costas para a coluna.

• Custo-benefício: já há uma grande variedade de jaquetas de entrada tanto para o verão (com tecido ventilado tipo mesh), como de inverno, sem esse tecido de refrigeração, que oferecem proteção térmica, impermeabilidade e podem ser seu escudo contra a abrasão do asfalto; há muitas opções por preços competitivos.

4. BOTAS OU CALÇADOS DE PILOTAGEM

• Onde focar: o tornozelo é uma das articulações mais vulneráveis em quedas bobas, onde a moto cai em cima da perna do piloto. Botas de cano curto ou tênis reforçados para motociclistas possuem proteções rígidas nos maléolos (os ossinhos do tornozelo) e reforço no peito do pé para não estragar com o pedal de câmbio.

• Custo-benefício: há várias botas nacionais de couro legítimo voltadas para o trabalho ou passeio que podem servir para andar de moto, mas é preferível utilizar botas feitas para isso, afinal elas têm reforços estratégicos e podem durar anos. Esses modelos evitam torções graves, podendo ser também resistentes à água.

5. CALÇAS DE PILOTAGEM

As calças, é claro, devem ser compridas e de um tecido reforçado como jeans. Há muitas mulheres que costumam usar as calças do tipo legging, mas essa vestimenta é como se não estivesse usando nada em caso de contato com o asfalto, e o risco de se ferir em um acidente, mesmo em baixa velocidade, é certo. Mas não é necessário investir numa calça de cordura com proteções, pois hoje a proteção da cintura para baixo também ganhou aliados indispensáveis que unem segurança máxima e estilo urbano.

A grande revolução para quem roda no dia a dia e precisa trabalhar elegante são as calças jeans técnicas casuais, com reforços nos joelhos e no quadril. Hoje no Brasil há marcas importantes desse equipamento que oferecem muita proteção para os motociclistas.

Pioneira no mercado nacional, ela esconde sob o visual jeans premium reforços balísticos de Kevlar nas áreas de maior arrasto e protetores de impacto removíveis, permitindo que você desça da moto, saque as proteções em segundos e enfrente a rotina de reuniões com total conforto e elegância.

O MELHOR PRESENTE DE DIA DO MOTOCICLISTA É A SUA VIDA

Neste mês festivo, a redação da revista MOTOCICLISMO faz uma convocação à responsabilidade. A obrigação do motociclista é incluir o valor dos equipamentos de segurança na planilha de compra da sua moto. Se o orçamento estiver apertado, negocie o kit, seja no parcelamento ou no desconto à vista, para sair da concessionária paramentado.

Pilotar equipado não tira sua liberdade; pelo contrário, dá a você a confiança necessária para apreciar cada curva sabendo que você respeita a máquina, a estrada e, principalmente, sua vida, assim as pessoas que esperam você voltar para casa todo dia agradecem. 

Nem é preciso lembrar que a verificação da motocicleta também é primordial para sua segurança; assim, lembre-se sempre de calibrar os pneus, manter a relação bem tensionada e lubrificada e conferir pastilhas de freio e lâmpadas. Só assim a sua máxima segurança estará garantida. Parabéns pelo nosso dia, pilote com responsabilidade e nos vemos na estrada.

 

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