Avelloz AZ 170 Bravo: planos de expansão e produção em Manaus

 

Uma nova motocicleta chega ao mercado brasileiro com motor chinês e, inicialmente, será importada da China. Mas o plano da Avelloz é começar a produção nacional no Polo Industrial de Manaus em 2027. Trata-se da AZ 170 Bravo, modelo que inicia a entrada da empresa no segmento Street, justamente a maior fatia do mercado brasileiro de motocicletas.

Avelloz AZ 170 Bravo: motor quatro válvulas, a óleo, mais de 18 cv de potência. Preço abaixo dos R$ 18 mil – Foto Divulgação

Segundo o ranking da Fenabrave, no acumulado do ano, a Avelloz já aparece como a quinta marca em emplacamentos no país. Agora, a empresa prepara uma nova fase de expansão, com o objetivo de conquistar espaço também nos mercados mais competitivos do Sul e Sudeste.

Poucos dias antes da coletiva de lançamento da Avelloz AZ 170 Bravo, a Motociclismo conversou com Caio Siqueira, um dos sócios da empresa e diretor de Operações e Produtos. Na entrevista, ele detalha a estratégia de crescimento, a estrutura de distribuição, os planos para a produção em Manaus e os motivos que levaram a Avelloz a entrar no segmento Street para disputar espaço com marcas tradicionais, como Honda e Yamaha.

É nesse contexto de expansão e busca por competitividade que a Avelloz Bravo chega com a promessa de oferecer tecnologia e equipamentos de uma categoria superior, além de preço público sugerido abaixo de R$ 18 mil.

Crescimento e mudança de percepção

A Avelloz ainda é uma marca pouco conhecida no Sudeste, mas muito bem-sucedida no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Como vocês conseguiram chegar a esse patamar de crescimento?

Caio Siqueira: Com muito trabalho! Nossa empresa tem uma filosofia de crescimento muito bem estruturada. Até 2024, tínhamos apenas um modelo, de 50 cilindradas. No final daquele ano, em dezembro, começamos a comercializar outros dois modelos: a AZ 125 Alfa e a AZ 160 X-treme.

Com isso, mudamos a percepção em relação à nossa marca. O mercado não enxergava as 50 cilindradas como motocicletas; via a Avelloz mais como uma marca de ciclomotores. Tivemos todo o ano de 2025 e, até agora, em setembro de 2026, a experiência de trabalhar com mais de um modelo no portfólio. Isso fez com que a empresa crescesse aos olhos do mercado e atraísse parceiros interessados em nossa operação.

A empresa como um todo se tornou muito mais profissional. Hoje estamos em um espaço próprio, que atende perfeitamente às nossas expectativas de estoque e pessoal. Temos mais de 200 pessoas trabalhando em nossa sede, em Recife.

Também temos focado muito no pós-venda, mantendo um fornecimento de peças acima de 90% a pronta entrega. Quando não conseguimos atender de imediato, é porque a peça está no ciclo da nossa cabine de pintura interna, e não por falta efetiva de componente.

Caio Siqueira é o entrevistado, à dir., filho de Jaime Siqueira, no centro, e irmão Antonio Lucas, à esq. – Foto Divulgação

Uma rede com forte capilaridade

Como funciona a estratégia de distribuição de vocês?

Caio Siqueira: Nossa estratégia de rede é completamente diferente da de qualquer outra empresa do mercado. Trabalhamos com muitas lojas porque queremos atingir o que chamamos de “Brasil real”, o “Brasil profundo”.

Como você mencionou, a Avelloz ainda não é muito conhecida no Sul e Sudeste, mas é justamente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste que está nosso maior volume de vendas. Só no Nordeste temos mais de 400 lojas.

As vendas da Avelloz AZ 170 Bravo já iniciam este mês, mas a produção em Manaus será apenas em 2027 – Foto Divulgação

Essas lojas são concessionárias exclusivas ou multimarcas?

Caio Siqueira: Hoje temos pouquíssimos parceiros multimarcas. A grande maioria é exclusiva. Temos concessionárias e também uma rede de franquias próprias.

Atualmente, contamos com mais de 150 franquias e estamos caminhando para 200. A grande maioria está no Nordeste, mas já temos unidades no Pará, em Minas Gerais e em São Paulo. As franquias nos dão essa capilaridade que consideramos tão relevante.

Empresa familiar e novas parcerias

Quando você mencionou a confiança dos parceiros, a quem exatamente estava se referindo? Existe algum grupo investidor por trás da empresa?

Caio Siqueira: Não, a Avelloz é 100% nossa. Não temos nenhum grupo por trás. A empresa foi criada pelo meu pai, que tem mais de 30 anos de história como empresário. Hoje, os sócios somos ele, eu e meu irmão.

Eu já trabalho na empresa há seis anos. Quando falo em novos parceiros, refiro-me a novas parcerias com bancos, o que nos dá uma oferta maior de crédito para os clientes, e também a grandes grupos do ramo automotivo que agora têm interesse em abrir concessionárias Avelloz.

Prezamos muito por relações duradouras. Temos parceiros de cinco, oito e dez anos. É isso que valorizamos e entendemos que faz o negócio dar certo.

Da China para Manaus

Como funciona a produção atualmente? É em Recife?

Caio Siqueira: Hoje trabalhamos com importação e a produção é feita na China. Mas já estamos com tudo certo para a fabricação nacional, inclusive com galpão e acordos firmados.

Como saiu na mídia, fechamos um contrato com o Grupo DBS para que eles fabriquem inicialmente a AZ 170 Bravo. Ao mesmo tempo, estamos construindo nossa própria planta em Manaus para podermos fabricar todos os nossos modelos por lá.

Está e a Avelloz AZ 160 Extreme, mais um modelo que irá disputar mercado no Sudeste / Sul – Foto divulgação

Por que entrar no segmento Street?

Em algum momento vocês perceberam que poderiam crescer na faixa de 100 a 400 cilindradas e optaram por lançar uma moto Street, a AZ 170 Bravo. Por que escolheram esse segmento para essa nova fase de motos maiores?

Caio Siqueira: O segmento Street é o maior mercado de motocicletas do Brasil, representando cerca de 40% das vendas totais. Nós não estávamos inseridos nessa fatia, e era fundamental estarmos presentes nela.

Hoje, com a AZ 125, a AZ 160 e a AZ 170, cobriremos a base da pirâmide e os principais segmentos do mercado — Cub, Scooter, Trail e Street — oferecendo produtos de qualidade aos consumidores.

Vocês vão bater de frente com as grandes marcas. Comenta-se, inclusive, que a Avelloz Bravo chega para concorrer com a Honda CG 160. Isso é verdade?

Caio Siqueira: Ela chega para brigar no segmento. A Honda é a majoritária, mas há outras marcas com números relevantes.

O que posso defender no nosso modelo é que ele traz uma tecnologia que não existe neste nível de cilindrada no Brasil. Estamos entregando a qualidade e a tecnologia de cilindradas maiores para o cliente de entrada.

Avelloz AZ 125 Alfa, outro modelo com bastante aceitação pelo público de várias regiões – Foto divulgação

Tecnologia e custo-benefício

Quais são os principais diferenciais do produto?

Caio Siqueira: A qualidade e o custo-benefício. Nossos modelos são reconhecidos pela qualidade. Quando comparados aos concorrentes, entregamos um preço abaixo das líderes de mercado, mas com um padrão fabril significativamente alto.

A Bravo vem para provar que a Avelloz entrega motocicletas de extrema qualidade. Já temos parcerias com grandes locadoras que colocam nossos veículos à prova diariamente.

Quanto à garantia, como pretendem trabalhar? A Honda CG, por exemplo, oferece três anos sem limite de quilometragem.

Caio Siqueira: A Bravo já nascerá com três anos de garantia e quilometragem ilimitada.

Conte um pouco sobre a tecnologia do motor. Qual foi a participação da engenharia de vocês no desenvolvimento da Bravo?

Caio Siqueira: O motor é fornecido pela Loncin, a maior fabricante de motores da China e que está na vanguarda tecnológica. Eles já são nossos parceiros nos outros modelos, mas o projeto de engenharia que estamos trazendo para a Bravo é o mais avançado existente na China. É uma tecnologia chinesa amplamente comprovada, como já vemos no setor automotivo.

Comparando a ficha técnica da nossa moto com a das outras do segmento Street de mesma cilindrada, a nossa é muito superior. O motor conta com quatro válvulas, em vez de duas, arrefecimento a óleo, em vez de apenas a ar, e rende mais de 18 cavalos de potência.

É um motor robusto e testado. Eu estive na China para conhecer a estrutura da Loncin. Eles têm um complexo industrial impressionante, são uma empresa listada em bolsa e respeitada mundialmente. Essa parceria se estenderá aos nossos futuros modelos.

Essa é a Avelloz AZ 160, também produzida na China, mas que poderá entrar em produção em Manaus – Foto Divulgação

Nacionalização e desenvolvimento

Como fica a questão do índice de nacionalização no Polo Industrial de Manaus?

Caio Siqueira: A legislação brasileira exige um percentual de componentes nacionais e nós cumpriremos rigorosamente o PPB (Processo Produtivo Básico) exigido pela Zona Franca de Manaus.

Houve um trabalho extenso de engenharia, testes, validações e tropicalização tanto lá quanto aqui.

A Avelloz não escolhe um modelo bonito na China e simplesmente o traz para o Brasil. Existe todo um planejamento de produto. Este modelo, por exemplo, está há mais de dois anos em desenvolvimento.

Preocupamo-nos muito com o design. Existe uma identidade visual marcante e única entre as motos da Avelloz. Se você vê uma moto nossa na rua, identifica imediatamente.

E quanto ao consumo de combustível?

Caio Siqueira: É um motor bastante econômico. A engenharia trabalhou para otimizar o consumo mantendo a alta performance.

Produção em Manaus começa em 2027

Como funcionará o cronograma de produção e montagem em Manaus?

Caio Siqueira: A estrutura completa em Manaus estará pronta para iniciar o processo de montagem a partir de 2027. Porém, a moto será colocada à venda antes disso, por meio de uma operação híbrida: iniciaremos via importação e depois migraremos para a fabricação nacional.

Qual será a capacidade de produção?

Caio Siqueira: A capacidade de produção mensal estimada é de 5.000 motos, somando nossa estrutura e a da DBS.

A transição dos outros modelos para Manaus será imediata?

Caio Siqueira: Será uma transformação gradual. Não mudaremos 100% imediatamente para Manaus porque temos estoque, pedidos em trânsito e precisamos garantir que não falte produto para nossa rede.

Portfólio em expansão

Vocês pretendem expandir a linha de produtos até a faixa de 450 cc. Quais novos lançamentos podemos esperar?

Caio Siqueira: Já temos novos modelos prontos para vir ao Brasil nos segmentos em que atuamos: Cub, Scooter, Street e Trail.

A estimativa é que, até julho de 2027, nosso portfólio conte com pelo menos sete modelos.

E quando começa a venda da Bravo?

Caio Siqueira: Iniciaremos a pré-venda na data do lançamento oficial, agora em setembro. Para 2027, prevemos mais quatro lançamentos.

Investimentos e expansão

Isso exige um alto investimento financeiro…

Caio Siqueira: É um investimento expressivo porque alocamos recursos com muita antecedência.

Em relação à estrutura em Manaus, o galpão atual que estamos montando já se mostra pequeno para o nosso volume projetado. Então, já estamos planejando a expansão.

Em um ou dois anos, 100% da nossa produção estará concentrada na Zona Franca.

Pós-venda como prioridade

Como vocês estão se estruturando em relação ao estoque de peças e à assistência técnica para sustentar esse crescimento?

Caio Siqueira: Essa é uma premissa da Avelloz. O motivo de não termos entrado antes no Sul e Sudeste não foi falta de oportunidade, mas a decisão de maturar nossos modelos e processos antes de expandir a rede.

Vender é fácil. Nosso foco é o pós-venda e o atendimento ao cliente.

A AZ 170 Bravo será lançada com um estoque robusto de peças de reposição no Brasil. Além disso, nossas motocicletas utilizam muitas peças intercambiáveis com o mercado paralelo.

Sabemos que o consumidor desse segmento busca alternativas e não queremos deixá-lo refém apenas da rede de concessionárias. Queremos facilitar a manutenção com mecânicos de sua preferência.

Preço abaixo de R$ 18 mil

Qual é a estimativa de preço da AZ 170 Bravo?

Caio Siqueira: O preço público sugerido (PPS) será abaixo de R$ 18.000.

Como vocês pretendem vencer o desafio de convencer o consumidor brasileiro a confiar em uma marca menos tradicional?

Caio Siqueira: A Avelloz é muito respeitada onde atua. Em alguns mercados, como no estado do Piauí, ocupamos o segundo lugar geral em vendas, não o quinto.

Conquistaremos novos clientes provando a qualidade na prática. Não pedimos que o consumidor apenas acredite no que dizemos, mas que teste e comprove os resultados.

Mais importante que o ranking

Onde vocês querem estar daqui a cinco anos?

Caio Siqueira: Nossa prioridade não é a posição no ranking de vendas. Se eu estiver em terceiro, quarto ou quinto lugar, mas for a marca número 1 em satisfação do cliente, estarei realizado.

O foco da empresa é a qualidade do atendimento e a experiência de quem compra a moto.

“Teste a moto”

Para encerrar: se você pudesse resumir em uma frase para o nosso leitor o motivo de comprar a nova Avelloz Bravo, qual seria?

Caio Siqueira: Eu diria: “Teste a moto e veja que ela é imbatível.”

É um produto que apaixona pelo design, surpreende pela pilotagem e pela técnica, e consolida a compra quando se compara o preço com a concorrência.

 

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