Algumas motos têm muito apelo emocional, não só pelo significado e status que uma marca oferece, mas principalmente pela capacidade de empolgar na pilotagem e isso, definitivamente, a Ducati sabe fazer bem. A Multistrada V2 S é mais um exemplo de moto excitante e de grife italiana.

Tudo é novo na Ducati V2 S e as mudanças que chegam na versão 2026, além de melhorá-la dinamicamente, a deixam mais próxima da versão topo de linha, a V4, mesmo sendo o modelo de entrada da família Multistrada.

Design mais parecido ao da V4 S
Se o cheiro é o que aguça o apetite, no mundo das motos o aspecto visual do design tem o papel de instigar a experimentação para adquiri-la. Assim, o primeiro quesito que salta aos olhos, invariavelmente é o tradicional design que marca as Multistrada há alguns anos, que agora na nova versão V2 S, ficou ainda mais agressivo e parecido ao da irmã maior V4 S, e ainda ajudou a melhorar a proteção aerodinâmica.

Nesse sentido, o design segue a linha do bico sobre o para-lama e farol duplo, só que agora esse aplique sob o farol está um pouco mais curto, porém as linhas continuam modernas e agressivas. Por sua vez, a aerodinâmica foi melhorada, agora as abas laterais do tanque têm defletores e uma asa (bem parecida à da V4, porém um pouco menor), que ajudam na refrigeração e a desviar o ar quente do piloto. Do mesmo modo, a nova bolha, mais alta e ajustável, também ganhou defletores nas laterais para ajudar a desviar o vento.

Por isso, essas mudanças aumentaram a proteção aerodinâmica do piloto e da garupa. É fácil ajustar a altura da bolha, basta puxar o manípulo com a mão esquerda e você altera a altura sem esforço e sem ter que parar.
Grandes mudanças técnicas
Primeiramente, vamos falar da mudança estrutural. O chassi agora é do tipo monocoque em alumínio substituindo o de treliça em aço da versão anterior. A balança traseira é construída no mesmo material e é bastante robusta.

A rodagem fica por conta de duas rodas raiadas, vestidas com os competentes pneus (sem câmara) Pirelli Scorpion Trail ll, que permitem incursões divertidas no fora de estrada e são supercompetentes no asfalto. Outra mudança técnica importante na Multistrada V2 S foi nas suspensões. Agora o conjunto de bengalas e o amortecedor têm ajuste eletrônico completo e levam o nome de Sky Hook.
Eletrônica e suspensões
Assim, os cinco modos de pilotagem (Urban, Touring, Sport, Wet e Enduro) têm pré-sets definidos, mas que ainda assim podem ser ajustados nos parâmetros de potência, freio motor, controle de wheeling, além do peso da carga e dos ocupantes. Por sua vez, esses pré-sets das suspensões ainda têm mais três ajustes independentemente do modo de pilotagem selecionado. Assim, caso o piloto ache necessário, ele pode redefinir o comportamento das suspensões nos modeos: Low Grip (baixa aderência), Dynamic e Confort.

O conjunto de suspensões transmitem ao piloto uma sensação de confiança plena. Elas absorvem os impactos do solo com eficiência transferindo pouca para o corpo do piloto. A moto é muito precisa e rápida na direção, mesmo com seus 230 quilos de peso aproximadamente. Por ser mais estreita e mais leve que a V4 S você se sente mais à vontade no seu comando e contornar curvas com a nova Multistrada V2 S é muito prazeroso, ela é capaz de chegar a ângulos de inclinação impressionantes sempre muito bem aprumada e colada ao chão, parece que você está pilotando em uma pista de autorama.

Particularidades do motor V2 a 90°
Primeiramente, é bom lembrar que os motores da Ducati são um capítulo à parte, pois o alto desempenho faz parte de todos eles, esse é o DNA da marca. Sendo assim, o novo motor da Multistrada V2 S não é diferente, ele oferece desempenho de sobra para quem goste de acelerações fortes e respostas instigantes do acelerador.

Esse novo propulsor, passou a ter 890 cm³ e não só aumentou ligeiramente, a potência e o torque, que passaram para 115,6 cv e 9,4 kgf.m, respectivamente, melhorou nas suas respostas. O motor também ficou mais leve, agora pesa 54 quilos e juntamente com a nova configuração do chassi monochoque e balança de alumínio, a moto ficou ainda mais ágil na pilotagem.

O conjunto de câmbio recebeu a segunda geração do quickshifter que tem funcionamento muito suave e permite trocas ultrarrápidas com toque suave no pedal de câmbio, tanto para cima quanto nas reduções, independentemente do giro em que o motor estiver, na versão passada, com giro abaixo de 3.000 rpm os engates eram duros e sentia-se o tranco das mudanças de marcha, principalmente nas reduções.

A V2 S tem 8 válvulas com comando variável eletronicamente no cabeçote que ajuda a deixar o motor mais amigável, principalmente na tocada mais aristocrática, digamos, sem cabeçadas para quem quer fazer um passeio mais contemplativo. Algumas particularidades do motor de dois cilindros dispostos a 90° e comando variável chamam a atenção. Logo na partida a sensação de arrasto lento do motor de arranque faz parecer que a bateria da moto está fraca, mas não, isso é característica dele.
A sinfonia V2 a 90°
Assim que ele entra em funcionamento a ponteira toma o protagonismo e compõe a sinfonia com o barulho metálico vindo do motor.
Apesar do som ser alto, a sinfonia é prazerosa, principalmente se você fizer o motor subir de giro até perto da zona de corte, que aliás, se você não estiver bem agarrado ao guidão acelerando forte, vai ficar para trás.

Desempenho
Embora os números absolutos de potência e torque não sejam absurdos, nem intimidadores, esse motor empurra muito. Os cinco modos de pilotagem permitem deixá-lo com o temperamento de acordo às preferências e necessidades do momento. Por sua vez, a embreagem hidráulica é um pouco arisca e você precisa pegar a mão nas arrancadas, principalmente se quiser fazê-lo rápido, como eu fiz no zero a cem por hora, que em pouco menos de 4 segundos.

O novo modo Enduro “amansa” a cavalaria, mesmo assim, ela é bem feroz na terra e parece até exagero, mas se você gosta de se divertir derrapando nas acelerações nessa situação, ela é um prato cheio.
Muito mais
Mas a Ducati colocou mais componentes para o conforto do piloto e da garupa, principalmente na estrada. Assim, o piloto automático permite evitar o cansaço nas longas retas do caminho. As manoplas aquecidas ajudarão nos dias de frio e o novo painel em TFT de 5 polegadas tem interface intuitiva várias configurações de estilo e informações e conexão via Bluetooth com o App Ducati, no qual é possível fazer a navegação curva a curva.

Além disso a Multistrada também oferece uma tomada USB integrada ao painel e a iluminação full LED conta com luzes direcionais, que ampliam a segurança nas curvas na pilotagem noturna. Outra função interessante é a de Coming Home, ou seja, você chega a seu destino, desliga a moto e a luz DRL fica acesa por 30 segundos para iluminar o caminho até a porta.

Particularmente eu sou apaixonado pela Multistrada V4, mas esta nova versão da V2, me cativou, afinal ela é mais esguia, mais leve e sensivelmente mais fácil de tirar todo o caldo que oferece, por isso os R$ 110.000 do preço de etiqueta me parecem valer muito a pena.
Outra boa notícia é que a Ducati oferece uma segunda cor, além do tradicional “rosso” da marca, o verde fosco, que eu particularmente gostei bastante.






