O número de ocorrências envolvendo motocicletas na Região Metropolitana de São Paulo diminuiu nos quatro primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda geral, um levantamento da Ituran, elaborado com base em dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), mostra que o perfil dos crimes varia de acordo com a categoria da motocicleta.
Enquanto os modelos de até 499 cm³ continuam sendo alvo principalmente de furtos, especialmente os mais novos e utilizados no dia a dia, as motocicletas de alta cilindrada permanecem mais expostas a roubos com abordagem direta, concentrados nos fins de semana e envolvendo, em sua maioria, modelos mais antigos.

Crimes contra motos de baixa cilindrada caem quase 21%
As motocicletas de até 499 cm³ registraram redução de 20,97% nas ocorrências entre janeiro e abril, passando de 9.137 casos em 2025 para 7.221 registros em 2026.
Mesmo com a retração, os furtos ampliaram sua participação no total de ocorrências. Em 2026, eles responderam por 73,81% dos casos, contra 67,65% registrados no mesmo período do ano anterior. Já os roubos caíram de 32,35% para 26,19%.
Segundo o levantamento, o padrão permanece concentrado em motocicletas com maior liquidez no mercado de peças e de uso urbano.

Honda CG 160 lidera entre as motos mais visadas
A Honda CG 160 continua sendo, com ampla vantagem, a motocicleta mais visada na Região Metropolitana de São Paulo. O modelo registrou 2.654 ocorrências entre janeiro e abril de 2026, apesar da redução em relação aos 3.248 casos contabilizados no mesmo período de 2025.
As 10 motos de até 499 cm³ mais visadas (jan. a abr.)
Além da CG 160, temos entre os destaques:
- A Honda XRE 300, que subiu da sexta para a terceira colocação no ranking de 2026
- A TVS 110 Sport passou a figurar entre as dez motocicletas mais visadas

Motos novas continuam sendo os principais alvos
As motocicletas com até dois anos de uso lideraram o número de ocorrências entre os modelos de baixa cilindrada, com 2.823 registros. Na sequência aparecem as motos com idade entre dois e cinco anos, que somaram 1.977 casos.
O período noturno segue como o mais crítico, concentrando 2.490 ocorrências. A madrugada aparece em segundo lugar, com 1.367 registros, seguida pela tarde, com 1.310.
Entre os dias da semana, quinta-feira lidera o ranking de ocorrências, com 1.274 casos, seguida por quarta-feira (1.256) e terça-feira (1.133). O domingo apresentou o menor número de registros, com 732 ocorrências.

Alta cilindrada registra queda superior a 33%
O levantamento mostra redução ainda mais significativa entre as motocicletas com motor a partir de 500 cm³. As ocorrências caíram 33,74%, passando de 824 casos em 2025 para 546 em 2026.
Nesse segmento, o roubo continua predominando, representando 68,86% das ocorrências em 2026, embora esse percentual seja inferior aos 74,27% registrados no ano anterior. Os furtos responderam pelos 31,14% restantes.
Honda CB 500 segue no topo entre as motos de alta cilindrada
Mesmo com a queda nas ocorrências, a Honda CB 500 permanece como a motocicleta de alta cilindrada mais visada na Região Metropolitana de São Paulo.
As 10 motos acima de 500 cm³ mais visadas (jan. a abr.)
*Empates em número de ocorrências.
Destaque: A Triumph Tiger 900 apareceu pela primeira vez entre os modelos mais visados e assumiu a segunda posição do ranking em 2026. As motocicletas da linha Tiger e diversos modelos da BMW reforçam a presença das Big Trails entre os principais alvos na categoria acima de 500 cm³.

Motos mais antigas são as principais vítimas na categoria
Ao contrário do segmento de baixa cilindrada, as motocicletas com mais de dez anos de uso lideram o número de ocorrências entre os modelos acima de 500 cm³, com 203 registros. Em seguida aparecem as motos com idade entre cinco e dez anos, com 144 casos.
Os crimes se concentram principalmente durante o período da noite, responsável por 208 ocorrências. A tarde aparece em segundo lugar, com 133 registros.
O comportamento também muda em relação aos dias da semana: domingo lidera isoladamente, com 139 ocorrências, seguido pelo sábado, com 100 registros.

Capital paulista concentra maior volume de ocorrências
São Paulo continua concentrando o maior número de casos em ambas as categorias.
Entre as motocicletas de até 499 cm³, a capital registrou 4.402 ocorrências, seguida por:
- Guarulhos (338);
- São Bernardo do Campo (324);
- Osasco (295);
- Santo André (266).
Já entre as motos acima de 500 cm³, São Paulo somou 311 registros, à frente de:
- São Bernardo do Campo (28);
- Santo André (23);
- Guarulhos (22);
- Osasco (22).
Santo Amaro e Tatuapé aparecem entre os bairros com maior incidência
Na capital paulista, Santo Amaro assumiu a liderança nas ocorrências envolvendo motos de baixa cilindrada, com 149 registros em 2026. O bairro também aparece na segunda posição entre as motos de alta cilindrada, com sete casos.
Já o Tatuapé, que liderava os registros de baixa cilindrada em 2025, caiu para 92 ocorrências em 2026 nessa categoria, mas permaneceu na liderança entre as motocicletas de alta cilindrada, com nove registros. Santana, Barra Funda e Campo Limpo também figuram entre os bairros com maior incidência.






