Orgãos públicos, entidades de trânsito e representantes da sociedade seguem cada vez mais unidos em prol da segurança no trânsito
Texto: Ismael Baubeta e Willian Teixeira | Fotos: Divulgação
“Às vezes a gente acha que sabe de tudo, mas no fundo a gente não sabe.” A frase do motociclista Ademilson de Jesus Nascimento resume bem o espírito do Maio Amarelo 2026. Com o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, a campanha reforçou a importância da conscientização e da responsabilidade compartilhada entre todos os usuários das vias.
Ao longo do mês, a Abraciclo promoveu ações em São Paulo e Manaus que reuniram mais de 4,5 mil motociclistas, motofretistas e entregadores por aplicativo. Além dos Pit Stops Educativos realizados nas duas capitais, a entidade participou de iniciativas como a Ação Integrada do programa Rodovida, promovida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de demais ações voltadas à segurança viária.

Quando a experiência encontra o aprendizado
Durante os eventos, os participantes receberam orientações sobre pilotagem segura, manutenção preventiva, primeiros socorros e o uso correto dos equipamentos de proteção.
Para Ademilson, a experiência serviu para reforçar a importância da conscientização constante. “Às vezes a gente acha que sabe de tudo, mas a gente, no fundo, não sabe. A gente para um pouco aqui, assiste aos vídeos, ouve as orientações e percebe que precisa ter mais consciência no trânsito.”
O motoboy Fabio Ramos também destacou a importância das ações educativas. “A gente aprende na experiência da rua, mas aqui ajuda a mostrar um caminho. Ajuda a mostrar um horizonte para a gente ter uma convivência melhor na rua.”

Desacelerar para chegar
Se houve uma palavra repetida pelos motociclistas entrevistados, ela foi “atenção”.
Iuri Benício também trabalha na rua com entregas e acredita que pilotar exige observação constante do ambiente ao redor e resume seu principal conselho em uma única palavra: “Desacelere.”
A recomendação encontra respaldo na visão do coronel Marcos Rogério da Cunha, comandante do Comando de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CPTRAN).
“O excesso de velocidade, sem dúvida, é uma das principais causas dos sinistros de trânsito”, afirma Cunha.
Segundo ele, ações educativas associadas à fiscalização são ferramentas importantes para reduzir acidentes e preservar vidas.

Pequenas atitudes, grandes diferenças
Além da velocidade, os participantes destacaram a importância da manutenção preventiva e do uso correto dos equipamentos de proteção. Hudson Soares, chama a atenção para os cuidados básicos com a motocicleta. “Eu tento andar com a minha moto em perfeito estado. Pneus, freios, iluminação, capacete… tudo em ordem e sempre com o máximo de cautela.”
Já Marcos Vicente destaca um hábito simples, mas fundamental: “Tem que estar de olho em tudo sempre.”

Uma mensagem que mobiliza todo o setor
Para Marcos Bento, presidente da Abraciclo, o objetivo das ações vai além da transmissão de informações.
“Mais do que orientar, queremos conscientizar e contribuir para a mudança de comportamento. Os eventos educativos criam oportunidades de diálogo e reflexão sobre atitudes simples que ajudam a salvar vidas”, diz Bento.
Segundo ele, a iniciativa reúne órgãos públicos, entidades de trânsito e representantes da sociedade em torno de um objetivo comum: reduzir acidentes e promover um trânsito mais harmonioso e seguro. Afinal todos nós, de uma forma ou de outra, também participamos do trânsito e queremos voltar em segurança para casa.

Segurança é responsabilidade de todos
Maria Alice Nascimento Souza, diretora do Departamento de Segurança no Trânsito da Senatran, destaca que o uso dos equipamentos de proteção deve estar enraizado nos motociclistas de forma intuitiva e automática, mas isso só vai acontecer com a conscientização massiva.
“Não basta só obrigar a pessoa a usar os equipamentos. É preciso que ela tenha consciência do porquê utilizar esse equipamento, de que isso é para protegê-lo e não uma imposição pura e simplesmente.”

Ela lembra que muitos motociclistas utilizam o capacete de forma incorreta (tamanho errado, sem viseira e até desafivelado), o que, invariavelmente, compromete a própria segurança em caso de acidente.
A campanha do Sim à Motocicleta da revista MOTOCICLISMO, com o apoio da Abraciclo, também incentiva os motociclistas a utilizarem todos os equipamentos de segurança durante a pilotagem. No Brasil, a grande maioria dos motociclistas utiliza somente o capacete como equipamento de proteção. É certo que ele é importantíssimo em caso de acidentes, mas os demais equipamentos podem evitar que simples percalços no trânsito com a motocicleta se transformem em afastamento do trabalho, queda de renda ou, no pior dos casos, sequelas irreversíveis.

Desculpas como passar calor com a jaqueta no dia a dia, perder sensibilidade nas mãos ou nos pés por conta de luvas ou botas, não colam mais. Com a evolução e a introdução de novas tecnologias, há inúmeras opções de equipamentos que oferecem, além da proteção, bastante conforto na pilotagem. E há opções para todos os bolsos e para os diferentes tipos de uso.

Enxergar o outro também é olhar para si mesmo
Os depoimentos colhidos durante as ações da Abraciclo mostram que a proposta do Maio Amarelo vai além da relação entre motociclistas, motoristas, ciclistas e pedestres.
No trânsito estamos cercados por outras pessoas, independentemente do veículo em que se encontram. A pirâmide de vulnerabilidade é o prisma com o qual devemos observar e cuidar do próximo. No topo da fragilidade estão os pedestres e ciclistas, na sequência motociclistas, motoristas de veículos leves e, depois deles, os de veículos pesados. Se todos tivermos a consciência de cuidar dos demais mais frágeis, certamente a harmonia no trânsito vai se fortalecer e perdurar.

É preciso ter sabedoria e humildade para reconhecer que temos uma responsabilidade e que dela dependem a segurança e a vida de outras pessoas. Pessoas que, invariavelmente, são filhos, mães, pais, avós, tios, primos, cunhados ou conhecidos de alguém. Só há uma forma de proteger sua família, e é protegendo a dos outros, pois só assim teremos um ciclo virtuoso no trânsito.
E você, qual será a sua contribuição para um trânsito mais seguro?






