Sempre que uma marca decide levar o off-road a sério, o resultado fica evidente logo na primeira acelerada. E os engenheiros de Borgo Panigale não ficaram na zona de conforto. Trazemos para o portal o teste completo e detalhado da segunda geração da Ducati DesertX 2026, uma motocicleta que não passou por um simples face-lift, mas foi completamente redesenhada do zero. O objetivo claro? Dominar o cenário das grandes competições de rali e oferecer a máquina definitiva para os motociclistas de perfil “Dakariano”.

O inédito motor V2 de 890 cm³ com comando variável
Se há uma característica que nos deixa instigados como pilotos de teste é encontrar a conexão perfeita entre a manete do acelerador e a roda traseira. Esqueça o antigo bloco de 937 cm³. A Ducati DesertX 2026 estreia um propulsor V2 a 90° de 890 cm³, entregando 110 cv a 9.000 rpm e 9,3 kgf.m de torque a 7.000 rpm. Ele é o motor bicilíndrico de quatro válvulas mais leve já produzido na história da fábrica de Bolonha. A entrega de torque é fascinante, com 70% do torque máximo disponível em baixas 3.000 rpm, graças ao sistema IVT.

O grande trunfo desse motor atende pela sigla IVT (Intake Valve Timing), o inovador sistema de distribuição variável da Ducati. Em baixas rotações, o sistema antecipa o fechamento das válvulas para garantir uma queima limpa, linear e com comportamento de “trator”. Quando a pista abre e o piloto gira o acelerador até o fim, o comando altera o tempo de abertura, os dutos respiram a plenos pulmões e o V2 entrega uma elasticidade empolgante até o corte de giros.

Para o uso técnico, o câmbio de 6 marchas foi recalibrado com foco no rali: as quatro primeiras marchas são curtas e escalonadas, ideais para transpor obstáculos travados, raízes e cavas em baixa velocidade. A quinta é de transição e a sexta atua como um autêntico overdrive para reduzir o giro do motor e o consumo de combustível nos longos trechos rodoviários.

Chassi monocoque e suspensão “Pata Negra”
A engenharia italiana substituiu o antigo arranjo por um chassi monocoque em alumínio, onde o motor atua como elemento estrutural e a seção dianteira funciona como a própria caixa de ar. Para quem faz a própria manutenção, a mudança é uma bênção: o acesso e a limpeza do filtro de ar após uma seção pesada de poeira agora são feitos em minutos. Na traseira, um robusto subchassi multitubular de aço garante a rigidez necessária para carregar malas de viagem e suportar impactos pesados em saltos.

O conjunto de suspensões KYB recebeu ajustes hidráulicos independentes por cartucho. O garfo dianteiro copia as imperfeições menores no primeiro terço de curso com maciez e ganha firmeza progressiva para evitar que a frente afunde excessivamente em frenagens brutas. No quesito frenagem, a Brembo dita o ritmo com as icônicas pinças monobloco M4.32 atuando em discos duplos de 305 mm na dianteira, agora acionadas por uma nova bomba axial que oferece excelente modularidade para modular a pressão em terrenos escorregadios.

Ergonomia de ataque: triângulo ergonômico redesenhado
Para garantir total controle na pilotagem em pé, a Ducati alterou o triângulo de pilotagem. As pedaleiras foram recuadas milimetricamente e o guidão foi reposicionado, avançando o assento para colocar o piloto em uma posição de ataque dinâmico.

O grande segredo para a extrema agilidade entre as pernas é o novo tanque em polímero de 18 litros. Ele ficou consideravelmente mais estreito na zona dos joelhos, permitindo a movimentação livre do corpo. Além disso, a engenharia posicionou a carga de combustível nas laterais inferiores da moto, derrubando o centro de gravidade e aliviando o peso percebido na dianteira em manobras de baixa velocidade. O assento padrão está posicionado a 880 mm do solo, trabalhando em conjunto com um para-lama dianteiro alto de perfil rali.

Eletrônica de navegação: painel TFT vertical e quick shift 2.0
O cérebro eletrônico da Ducati DesertX 2026 é gerenciado por uma Unidade de Medição Inercial (IMU) de 6 eixos de última geração, responsável por calibrar os 6 modos de pilotagem customizáveis: Sport, Touring, Urban, Wet, Enduro e Rally.
- Painel TFT de 5″ Estilo Navigation: posicionado em orientação vertical, imitando os roadbooks de rali de navegação, ele traz o modo de exibição “Rally” integrado com computador de bordo profissional
- ABS Cornering de 4 Níveis: no nível 1 (focado em profissionais do off-road), o sistema atua apenas na roda dianteira de forma minimalista. Nos modos Enduro e Rali, o ABS traseiro pode ser completamente desativado através de um comando rápido no punho
- Ducati Quick Shift 2.0 (DQS): o sistema de troca de marchas sem embreagem agora opera sem sensores mecânicos externos. Essa solução elimina a chance de quebras causadas por pancadas de pedras, galhos ou acúmulo de lama pesada no pedal de câmbio

Ficha técnica – Ducati DesertX 2026
- Motor: V2 a 90°, arrefecimento líquido, 4 válvulas por cilindro, comando variável IVT
- Cilindrada: 890 cm³
- Potência máxima: 110 cv a 9.000 rpm
- Torque máximo: 9,3 kgf.m (92 Nm) a 7.000 rpm
- Câmbio: 6 velocidades com embreagem deslizante e DQS 2.0 integrado
- Peso seco: 209 kg
- Tanque de combustível: polímero de alta resistência, 18 litros (centro de gravidade baixo)
- Suspensão dianteira: garfo invertido KYB de 46 mm, totalmente ajustável (230 mm de curso)
- Suspensão traseira: monoamortecedor KYB com link progressivo, totalmente ajustável (220 mm de curso)
- Rodas e pneus: rodas raiadas de alumínio para pneus sem câmara (Tubeless), 21″ na dianteira e 18″ na traseira, calçadas com Pirelli Scorpion Rally Street
- Manutenção programada: trocas de óleo a cada 15.000 km (ou 2 anos) e checagem de válvulas (Desmo Service) a cada 45.000 km
- Cores disponíveis: Seda Branca Estrela Matt (Star White Silk Matt)
A nova referência para o off-road de longo curso
As atualizações aplicadas na Ducati DesertX 2026 provam que a marca italiana entendeu perfeitamente a diferença entre uma big trail puramente de asfalto e uma verdadeira máquina de rali de longo curso. O novo motor V2 com comando IVT resolveu o antigo temperamento explosivo em baixas rotações, entregando a suavidade de um trator para transpor terrenos acidentados e a fúria mecânica tradicional da marca nas pistas rápidas. Unindo um chassi leve, centro de gravidade baixo e componentes suspensivos de primeiríssima linha, ela se consolida como a moto a ser batida por quem busca se perder no mapa com desempenho profissional. Se o seu objetivo é o off-road premium sem concessões, a sua moto chegou.






